sexta-feira, 22 de maio de 2026
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Payback & Lei 14.300

Onde o solar ainda se paga rápido em 2026: ranking de payback por região com Fio B em 60%

Com o kit a R$ 3.800–5.500/kWp e o Fio B em 60%, montei um ranking de payback de Recife a Curitiba. A diferença entre o topo e o fim da lista passa de 3 anos.

Bruno Aragão 5 min de leitura
Mapa do Brasil com colunas de payback por região e planilha financeira ao lado
Mapa do Brasil com colunas de payback por região e planilha financeira ao lado

“Bruno, o solar ainda vale a pena em 2026 ou já era?” Recebo essa pergunta toda semana, e ela está mal formulada. Não existe “ainda vale a pena” no singular — vale muito em Petrolina, vale razoavelmente em São Paulo e vale apertado em Curitiba. A mesma conta, o mesmo Fio B em 60%, o mesmo kit, dá resultados que diferem em mais de três anos dependendo do CEP. Montei o ranking abaixo justamente para responder a pergunta certa: onde ainda vale, e por quanto.

O que importa decidir antes de olhar o ranking

Payback de solar residencial depende de cinco variáveis. Quatro delas mudaram em 2026 e a maioria dos orçamentos só mexe numa.

  1. Preço do kit (R$/kWp). Caiu. Em 2026 o sistema residencial sai entre R$ 3.800 e R$ 5.500/kWp instalado, ante R$ 5.500 a R$ 6.500/kWp em 2022, puxado pela queda do módulo com a superoferta chinesa (Solar dos Pomares; Revista Oeste).
  2. Irradiação (HSP) da região. Não muda — é física. Nordeste fica perto de 5,5 kWh/m²/dia, Sudeste em torno de 4,8, Sul perto de 4,2.
  3. Tarifa de energia local (B1). Varia por distribuidora. Quanto mais cara a tarifa, mais rápido o sistema se paga.
  4. Fio B em 60%. Subiu, e é igual no país todo: 60% do Fio B deixa de ser compensado em 2026 para quem homologou na janela de transição (Canal Solar).
  5. Bandeira tarifária. Maio de 2026 está em bandeira amarela: + R$ 1,885 a cada 100 kWh (Canal Solar). Encarece a energia da rede, o que joga a favor do payback.

A variável que decide o ranking é a 2 combinada com a 3. Preço do kit e Fio B são quase iguais no país; o que separa as regiões é sol e tarifa.

O ranking — payback estimado de um sistema residencial em 2026

Premissas que usei, declaradas: sistema de 5 kWp, custo de R$ 4.600/kWp (meio da faixa de mercado de 2026), totalizando R$ 23.000; degradação de 0,55% ao ano; bandeira amarela aplicada; Fio B em 60% sobre a parcela injetada; tarifa B1 e HSP típicos de cada praça. São estimativas comparativas, não orçamento.

#Região (praça)HSP (kWh/m²/dia)Tarifa B1 de referênciaPayback estimado
1Petrolina / sertão PE~5,7Alta~3,4 anos
2Teresina (PI)~5,5Alta~3,7 anos
3Cuiabá (MT)~5,3Média-alta~4,1 anos
4Goiânia (GO)~5,2Média~4,4 anos
5São Paulo (capital)~4,8Média-alta~4,9 anos
6Belo Horizonte (MG)~5,0Média~5,0 anos
7Porto Alegre (RS)~4,3Média~5,8 anos
8Curitiba (PR)~4,1Média-baixa~6,6 anos

A leitura honesta da tabela: o topo e o fim diferem em 3,2 anos. O Fio B em 60% empurrou todo mundo para cima de forma quase uniforme — uns 8 a 10 meses a mais que no cenário de 45% —, mas não inverteu a ordem. Quem manda no ranking continua sendo o sol. Curitiba não ficou inviável; ficou um investimento de retorno mais lento, comparável a aplicações conservadoras de prazo médio, com a diferença de que aqui o “rendimento” é isenção de uma despesa que sobe todo ano.

Minha escolha e por quê

Se eu estivesse no topo do ranking (Nordeste, Centro-Oeste), eu fecharia em 2026 sem hesitar — payback abaixo de 4,5 anos com uma despesa que só sobe é uma das melhores alocações de capital próprio disponíveis para pessoa física hoje, melhor que a maioria da renda fixa líquida depois do imposto.

Se eu estivesse no fim do ranking (Sul, payback acima de 6 anos), eu não trataria como “não vale”. Eu trataria como decisão de horizonte: se você fica na casa mais de 8 anos, ainda compensa, porque o sistema dura 25+ e o retorno continua depois do payback. Se você pensa em vender o imóvel em 3 ou 4 anos, aí eu pensaria duas vezes — o ganho de valor do imóvel com solar instalado existe, mas é menos previsível que o fluxo de economia.

O que eu não faria em região nenhuma: financiar a 2,3% ao mês para “pagar com a própria economia”. Nessa taxa, em boa parte das praças o custo do crédito come a vantagem do payback. Capital próprio ou consórcio contemplado mudam o jogo — fiz essa conta em detalhe num post anterior de financiamento.

Perguntas que chegam de verdade

O Fio B em 60% não matou o payback? Não. Atrasou. Na minha planilha, a passagem de 45% para 60% adicionou de 8 a 10 meses ao payback nas praças medianas. É um custo real, não uma sentença. Quem fica fora da janela de transição é que enfrenta risco maior — esse é assunto regulatório, não de planilha de hoje.

Vale esperar o kit cair mais? O módulo já caiu forte (preço FOB despencou de cerca de US$ 0,25/W para a casa de US$ 0,09/W com a superoferta chinesa, segundo o noticiado). O ganho marginal de esperar mais um ano é pequeno e some diante de mais um ano pagando conta cheia e mais um degrau de Fio B em 2027. A conta de esperar quase nunca fecha.

Apartamento entra nesse ranking? Não diretamente — telhado compartilhado tem outra dinâmica (geração compartilhada, autoconsumo remoto). O ranking acima é para casa com telhado próprio.

Fontes

B

Escrito por

Bruno Aragão

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300.

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