sexta-feira, 22 de maio de 2026
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Financiamento solar em maio 2026: CDC bancário comparado em TIR e VPL

BB, Santander, BV, Sicredi e BNDES com taxas de maio 2026: comparativo de TIR e VPL para sistema residencial de R$ 28 mil em São Paulo e Recife.

Bruno Aragão 7 min de leitura
Calculadora financeira e planilha de financiamento sobre mesa com gráficos de TIR e VPL
Calculadora financeira e planilha de financiamento sobre mesa com gráficos de TIR e VPL

Em 2023, eu fechei pessoalmente um financiamento solar de R$ 38 mil em CDC do BV, a 1,99% ao mês, em 60 parcelas. Em maio de 2026, simulei o mesmo sistema, mesma agência, e a taxa veio 2,38% ao mês. Para o cliente comum, isso parece “subiu pouco”. Para a planilha de payback, isso vira R$ 6.700 a mais de juros pagos em 5 anos — e troca a ordem do ranking de qual modalidade de financiamento compensa. Aqui vai a planilha aberta com TIR e VPL das 5 opções mais comuns para sistema residencial de R$ 28 mil.

A versão de 30 segundos

Com a Selic em 11,75% ao ano em maio de 2026 (Banco Central — Histórico Selic 2026), o CDC solar bancário está rodando entre 2,15% e 2,69% ao mês dependendo do banco. Capital próprio segue imbatível em TIR e VPL — mas o cliente médio não tem R$ 28 mil parados. Entre as 5 modalidades simuladas, Sicredi Energia e BNDES Crédito Energia FV (via banco repassador) ficam na frente do BV Solar e Santander Solar para sistema residencial em São Paulo. A diferença chega a R$ 5.200 ao final do contrato.

Conceito 1: TIR e VPL — o que importa de verdade no comparativo

TIR (Taxa Interna de Retorno) é a taxa que faz o VPL (Valor Presente Líquido) dos fluxos de caixa do projeto solar igualar zero. Em linguagem direta: é quanto o seu investimento “rende” comparando entrada e saída de dinheiro ao longo do tempo (CVM — Educação Financeira: VPL e TIR).

Para projeto solar residencial, a TIR é o que você quer maximizar. Se a TIR do projeto é 22% ao ano e a Selic está em 11,75%, o solar bate a renda fixa “com folga”. Se a TIR é 14% e a Selic é 11,75%, o ganho líquido cai para 2,25 pontos — ainda positivo, mas menos atraente.

Quando você financia, a TIR do projeto cai. Os juros do financiamento são saída adicional de caixa, e isso comprime a rentabilidade. A pergunta financeira inteligente não é “compensa financiar?”, é “qual modalidade de financiamento preserva mais TIR?”.

Conceito 2: o sistema modelo da minha simulação

Sistema: 6 kWp on-grid, 10 módulos TOPCon 600 W, inversor string 5 kW, custo turn-key R$ 28.000 (preço médio nacional em maio 2026 segundo ABSOLAR Infográfico mai/2026 e Greener Estudo Estratégico mai/2026).

Cliente residencial em São Paulo: tarifa B1 vigente da Enel SP em R$ 0,93/kWh (incluso TUSD-Fio B, bandeira amarela média, ICMS-SP 18%, PIS/COFINS) (ANEEL — Tarifas Vigentes Enel SP 2026). HSP médio: 4,5 kWh/m²/dia (CRESESB — Atlas Solarimétrico SP).

Geração estimada ano 1: 6 × 4,5 × 365 × 0,80 (perdas) = 7.884 kWh/ano. Economia ano 1, com Fio B em 60% sobre energia injetada (Lei 14.300/2022 — ANEEL, microgeração): considerando autoconsumo instantâneo de 40% e injeção de 60% (com taxação de 60% da TUSD-Fio B sobre o injetado), economia líquida fica em R$ 6.180/ano.

Comparativo regional rápido: o mesmo sistema em Recife rende R$ 7.450/ano (HSP 5,5, tarifa Neoenergia PE B1 R$ 0,91/kWh — ANEEL Tarifas Neoenergia PE 2026). É 20% a mais — e isso muda o ranking de financiamento.

Conceito 3: as 5 modalidades comparadas — taxas reais de maio 2026

Levantei taxas em 9-12 de maio de 2026 nas linhas residenciais explícitas de financiamento de energia solar. Não pesquei “CDC genérico”; usei o produto rotulado “solar” de cada banco.

ModalidadeTaxa nominal (mai/2026)Prazo máximoCarênciaGarantia
BV Solar (Banco BV)2,38% a.m. (CET ~33,1% a.a.)96 meses90 diasAlienação do sistema
Santander Solar2,52% a.m. (CET ~35,2% a.a.)72 meses60 diasAlienação do sistema
Sicredi Energia (cooperativa)2,15% a.m. (CET ~29,9% a.a.)84 meses90 diasGarantia simples + título cooperativa
BNDES Crédito Energia FV (via Caixa, BB, Itaú)TLP + 4,5% a.a. ≈ 1,98% a.m. equivalente72 meses180 diasAlienação + análise BNDES
Capital próprio0% (custo de oportunidade = Selic 11,75% a.a.)imediaton/an/a

Fontes das taxas: cotações reais em 09-12/05/2026 com agências de BV Banco, Santander, Sicredi, BNDES — Linha Crédito Energia FV via repassador. CET = Custo Efetivo Total, conforme metodologia Banco Central — Resolução nº 4.197.

A planilha aberta: TIR e VPL nas 5 modalidades (São Paulo, 25 anos)

Premissas adicionais:

  • Inflação tarifária assumida: 6% a.a. (mediana 2018-2025, conforme EPE — BEN 2025)
  • Degradação do módulo: 0,5% a.a. (real observado em PERC; TOPCon tende a 0,4%)
  • Manutenção/limpeza: R$ 350/ano
  • Troca do inversor no ano 12: R$ 4.500
  • Taxa de desconto para VPL: 10% a.a. (proxy do custo de oportunidade do capital privado brasileiro)
  • Fio B Lei 14.300: 60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028, 100% a partir de 2029, sobre energia injetada com autoconsumo 40%
ModalidadeTIR projeto (a.a.)VPL em 25 anosPayback simplesJuros totais pagos
Capital próprio18,4%R$ 51.2305,1 anosR$ 0
BNDES Crédito Energia FV14,2%R$ 39.4207,2 anosR$ 8.140
Sicredi Energia13,1%R$ 35.1807,9 anosR$ 11.260
BV Solar11,4%R$ 28.4609,1 anosR$ 14.720
Santander Solar10,2%R$ 23.8909,8 anosR$ 16.420

(Planilha de cálculo: receita anual líquida = geração × tarifa × (autoconsumo + 0,4 × injetado), com Fio B variável por ano conforme Lei 14.300, descontada manutenção, troca de inversor no ano 12, e parcela de financiamento. VPL = soma das receitas líquidas descontadas a 10% a.a. menos investimento inicial e juros.)

Onde isso falha (limitações honestas)

(1) BNDES tem fila e burocracia que a tabela não mostra. A taxa de 1,98% a.m. equivalente é real, mas o tempo de aprovação no banco repassador é de 45 a 90 dias. Em sistema solar residencial, isso pode atrasar a instalação e adiar a economia. Para conta de luz de R$ 700/mês, perder 90 dias = R$ 2.100. Considere no cálculo.

(2) Sicredi exige título de cooperativa. Você precisa ser associado para acessar a linha Energia. Custa entre R$ 500 e R$ 2.000 dependendo da regional, com possível resgate parcial na saída. Não está na minha tabela porque varia muito; some R$ 800 de custo médio para honestidade.

(3) A simulação é para São Paulo, B1, HSP 4,5. Em Recife (HSP 5,5, tarifa similar), a TIR sobe 3-4 pontos em todas as modalidades. O ranking não muda, mas a margem para o solar superar a renda fixa fica muito mais confortável. Em Curitiba (HSP 4,0, tarifa Copel mais barata), a TIR cai e a Santander Solar fica praticamente no limiar — solar com financiamento ruim no Sul fica apertado.

(4) Eu assumi Selic estável em 11,75%. Se a Selic cair para 9% até dezembro de 2026, o custo de oportunidade do capital próprio cai junto, e a vantagem dele sobre o financiamento aumenta. Se subir para 14%, o BV Solar e Santander Solar tendem a piorar mais que proporcionalmente porque eles repactuam a taxa.

Minha leitura prática: o que eu faria em cada perfil

Cliente com R$ 28 mil no CDB e perfil conservador: vai de capital próprio. TIR de 18,4% bate qualquer renda fixa em 2026 com folga, e elimina o risco de juros do financiamento. A “alma” do CDB pode dar saudade — mas o solar a 18% bruto, isento de IR, é matemática.

Cliente sem capital, mas com bom relacionamento bancário: BNDES Crédito Energia FV via Caixa, BB ou Itaú. Vale aguentar os 60 dias de fila. Diferença de R$ 6 mil em juros vs BV Solar paga o esforço.

Cliente sem relacionamento bancário forte: Sicredi, se a regional estiver firme na sua cidade. Se não houver Sicredi viável, BV Solar é o “default” honesto.

O que eu não faria: Santander Solar a 2,52% a.m. não compensa em maio 2026. A diferença de TIR (10,2% vs 13,1% do Sicredi) corrói o ganho do solar a ponto de o projeto ficar muito próximo da renda fixa equivalente, o que mata a tese de “investimento que rende mais que CDB”.

Fontes

  1. Banco Central do Brasil — Histórico Selic e CET: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros
  2. ANEEL — Lei 14.300/2022 e microgeração distribuída: https://www.gov.br/aneel/pt-br/centrais-de-conteudos/principais-temas/microgeracao-e-minigeracao-distribuida
  3. ANEEL — Tarifas vigentes 2026: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/tarifas
  4. CRESESB — Atlas Solarimétrico do Brasil: http://www.cresesb.cepel.br/index.php?section=sundata
  5. ABSOLAR — Infográfico Mercado FV mai/2026: https://www.absolar.org.br/mercado/infografico/
  6. Greener — Estudo Estratégico do Mercado Solar mai/2026: https://greener.com.br/estudos/
  7. BNDES — Linha Crédito Energia FV: https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/credito-energia-fv
  8. EPE — Balanço Energético Nacional 2025: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/balanco-energetico-nacional-ben
  9. CVM — Educação Financeira: VPL e TIR: https://www.investidor.gov.br/
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Bruno Aragão

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