sexta-feira, 22 de maio de 2026
Solar Brasil SOLAR BRASIL
Payback & Lei 14.300

Lei 14.300: Fio B chega a 60% em 2026 — quanto pesa na conta

A partir de janeiro de 2026, sistemas solares homologados após jan/2023 pagam 60% do Fio B sobre energia injetada. Veja impacto real no payback residencial.

Bruno Aragão 6 min de leitura
Instalador montando módulo fotovoltaico em telhado residencial
Instalador montando módulo fotovoltaico em telhado residencial

TL;DR

  • Em janeiro de 2026 entrou em vigor a 4ª etapa da Lei 14.300/2022: sistemas homologados após 7 de janeiro de 2023 passam a pagar 60% do Fio B sobre a energia injetada na rede (Canal Solar).
  • O cronograma vai até 2028, quando o percentual chega a 90% — e a partir de 2029 a ANEEL deve definir um novo modelo de compensação (PV Magazine Brasil).
  • Em uma residência atendida pela CPFL Paulista com 800 kWh injetados por mês, o custo do Fio B sai de R$ 17,76/mês (15% em 2023) para R$ 71,04/mês em 2026 e R$ 106,56/mês em 2028 (Canal Solar).
  • Consumidores que protocolaram o sistema até 6 de janeiro de 2023 ficam isentos da regra de transição até 2045.

O que mudou em 2026 com a Lei 14.300?

A partir de 1º de janeiro de 2026, quem instalou painéis depois de 7 de janeiro de 2023 passou a arcar com 60% do componente Fio B da TUSD sobre toda energia elétrica ativa compensada pelo Sistema de Compensação (SCEE). Os outros 40% continuam abatidos via créditos. A regra está prevista no art. 27 da Lei 14.300/2022 e vinha subindo em degraus: 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025 e agora 60% (Canal Solar).

O Fio B é a parcela da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) que remunera a distribuidora pelo uso da rede física — postes, transformadores, fios. Antes da Lei 14.300, energia injetada e energia consumida da rede eram trocadas 1 para 1 sem desconto. Agora, parte do que volta como crédito vem com a cobrança proporcional do Fio B (EDP).

Quanto isso pesa, em reais, na conta do consumidor

O impacto depende de três coisas: quanto o sistema injeta na rede, qual é o Fio B em R$/kWh da distribuidora e qual é o percentual vigente. O Canal Solar publicou um exemplo padrão usando a tarifa CPFL Paulista (Fio B = R$ 0,1480/kWh):

Cenário CPFL Paulista (800 kWh injetados/mês)PercentualCusto Fio B/mês
202315%R$ 17,76
202430%R$ 35,52
202545%R$ 53,28
202660%R$ 71,04
2027 (projetado)75%R$ 88,80
2028 (projetado)90%R$ 106,56

Fonte: Canal Solar, tarifa CPFL Paulista vigente.

Em distribuidoras com Fio B mais alto, o efeito é mais agressivo. A Equatorial Pará opera com Fio B de cerca de R$ 0,3768/kWh, o que representa em torno de 50% da tarifa total — quase o triplo do peso paulista por kWh injetado (Canal Solar).

Outro dado de referência: a PV Magazine Brasil cita que, na área de concessão da CPFL Paulista, para cada 1.000 kWh injetados em 2026, o consumidor deixa de receber cerca de R$ 123,90 em créditos por causa da parcela não compensável do Fio B (PV Magazine Brasil).

O payback ainda fecha em 2026?

Sim, na maioria dos casos — mas com prazo um pouco mais longo do que há três anos. Levantamentos de mercado em 2026 colocam o retorno do investimento residencial entre 4 e 8 anos na média brasileira, e entre 3 e 5 anos em projetos bem dimensionados, com alto autoconsumo simultâneo e tarifa local elevada (OPS Energia; CustoSolar).

Três variáveis decidem o jogo em 2026:

  1. Autoconsumo simultâneo. Quanto mais o sistema gera enquanto a casa está consumindo, menos energia passa pela compensação — e menos Fio B incide. Famílias com home office, carro elétrico ou ar-condicionado durante o dia tendem a sofrer menos com a regra.
  2. Tarifa da distribuidora. A Cemig (MG), por exemplo, teve reajuste residencial de 7,36% em maio de 2025, vigente até maio de 2026 (Cemig). Tarifa mais alta acelera o payback mesmo com Fio B subindo.
  3. Irradiação local. Belo Horizonte tem irradiação média próxima de 5,98 kWh/m²/dia segundo o SunData/CRESESB; cidades do Nordeste e Centro-Oeste passam de 6 kWh/m²/dia. Mais sol = mais geração no mesmo kWp instalado (CRESESB).

A vice-presidente da ABSOLAR, Bárbara Rubim, resume bem: “O impacto é maior para projetos com alta injeção, porque o crédito recebido diminui ano após ano” (PV Magazine Brasil). Tradução prática: dimensionar para ficar próximo do consumo real, em vez de superdimensionar para acumular crédito, virou estratégia financeira.

E quem instalou antes de 7 de janeiro de 2023?

Esse grupo está protegido. A Lei 14.300 garante que sistemas com solicitação de acesso protocolada até 6 de janeiro de 2023 mantêm a regra anterior — compensação integral, sem cobrança da parcela Fio B — até 31 de dezembro de 2045 (Canal Solar; EDP).

Para quem está instalando em 2026, a alternativa que vem ganhando tração é o sistema híbrido com bateria. A queda de preço do armazenamento, mencionada pela PV Magazine Brasil, “tem funcionado como contraponto ao aumento do Fio B” — guarda-se a energia gerada à tarde para usar à noite, evitando injetar na rede e, portanto, evitando o pedágio (PV Magazine Brasil).

FAQ

Quem está livre da cobrança de 60% do Fio B em 2026?

Apenas consumidores cujo pedido de acesso foi protocolado na distribuidora até 6 de janeiro de 2023. Esses sistemas mantêm compensação plena até o fim de 2045, conforme art. 26 e 27 da Lei 14.300/2022.

Como saber quanto pago de Fio B na minha distribuidora?

O Fio B aparece na tabela de tarifas homologada pela ANEEL para cada concessionária. Vale conferir o ranking público no portal da ANEEL e a página “Valores e Tarifas” da própria distribuidora — Cemig, CPFL, Enel, Equatorial e EDP publicam abertamente.

A energia solar ainda compensa em 2026?

Compensa na maior parte dos casos, com payback típico de 4 a 8 anos para projetos residenciais bem dimensionados. O cálculo individual depende de tarifa, irradiação, telhado e perfil de consumo.

Vale a pena instalar bateria por causa do Fio B?

Em tarifas altas e cidades com Fio B elevado (Norte e Nordeste), o armazenamento começa a fazer sentido financeiro porque reduz a injeção tributada. Em 2026 ainda é decisão caso a caso — peça simulação comparando sistema on-grid puro versus híbrido.

Fontes

B

Escrito por

Bruno Aragão

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300.

Continue lendo · Payback & Lei 14.300

Ver tudo →