sexta-feira, 22 de maio de 2026
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Solar fotovoltaico ultrapassa R$ 300 bi no Brasil, mas trava em 2026

Setor solar brasileiro acumula R$ 300 bi e 68,6 GW, mas ABSOLAR projeta queda de 7% em 2026 com curtailment, Fio B em 60% e gargalos de rede.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Vista aérea de usina fotovoltaica com painéis solares enfileirados sob céu parcialmente nublado
Vista aérea de usina fotovoltaica com painéis solares enfileirados sob céu parcialmente nublado

TL;DR

  • Brasil ultrapassou R$ 300 bilhões de investimentos acumulados em solar fotovoltaico e 68,6 GW instalados, segundo balanço da ABSOLAR divulgado no início de maio de 2026 (Agência Brasil, 01/05/2026).
  • A fonte solar é a 2ª maior da matriz elétrica brasileira, com 25,3% do total, atrás apenas da hidráulica (~41,6%).
  • A potência adicionada caiu 25,6% entre 2024 e 2025 — de 15,6 GW para 11,6 GW — e a ABSOLAR projeta nova retração de cerca de 7% em 2026, com 10,6 GW de adições previstas (Canal Solar, 28/04/2026).
  • Curtailment de geração, dificuldades de conexão em geração distribuída e a entrada em vigor de 60% do Fio B em 2026 (Lei 14.300/2022) explicam o freio.

Quanto o setor solar já investiu — e por que está desacelerando agora?

O Brasil cruzou em maio de 2026 a marca de R$ 300 bilhões em investimentos acumulados desde a chegada da fotovoltaica no país, com 68,6 GW em operação somando geração centralizada (UFV) e geração distribuída (GD), de acordo com balanço da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) divulgado pela Agência Brasil em 01/05/2026.

Apesar do estoque robusto, o ritmo de adições caiu. Em 2025, o setor instalou 11,6 GW, queda de 25,6% ante os 15,6 GW registrados em 2024. Para 2026, a entidade projeta nova retração de cerca de 7%, com perspectiva de adicionar 10,6 GW no ano — abaixo dos 11,4 GW que a própria entidade contabiliza em outra metodologia de fechamento de 2025, segundo Canal Solar (28/04/2026).

A leitura é menos de saturação e mais de gargalo: o problema não é demanda de consumidor, é capacidade da rede e custo regulatório.

Onde estão os 68,6 GW e quem puxa cada segmento

A divisão entre geração centralizada e distribuída ajuda a entender o freio. Os números a seguir foram compilados a partir dos boletins da ABSOLAR reproduzidos por Canal Solar e Agência Brasil em abril–maio de 2026:

SegmentoCapacidade instaladaEstado líder
Geração centralizada (UFV)~22,3 GWMinas Gerais (8,6 GW)
Geração distribuída (GD)~47,5 GWSão Paulo (6,5 GW)
Total Brasil68,6–68,8 GW
Participação na matriz elétrica25,3%

O lado de geração distribuída — telhados residenciais e comerciais, sítios, pequenos negócios — concentra mais de dois terços da capacidade e é onde a Lei 14.300/2022 mais aperta neste ano. Já a geração centralizada sofre com cortes operacionais do ONS (curtailment) quando há excesso de oferta em horários de pico solar e a rede de transmissão satura.

Segundo Rodrigo Sauaia, presidente-executivo da ABSOLAR, citado por Canal Solar: “na prática, a economia verde brasileira poderia estar em um patamar ainda mais elevado, não fossem os desafios enfrentados pelo setor”.

O que muda em 2026: Fio B em 60% e curtailment como vilão

A pressão regulatória passa pelo cronograma da Lei 14.300/2022, que escalonou a cobrança do Fio B (componente fio da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) sobre a energia injetada por sistemas de GD conectados após 7 de janeiro de 2023:

Ano% do Fio B cobrado do prossumidor
202315%
202430%
202545%
202660%

Fonte: Canal Solar, com base na Lei 14.300/2022.

Sistemas protocolados antes de 07/01/2023 seguem isentos da regra de transição até 2045. Para quem instalou depois, o salto de 45% para 60% em 2026 reduz a economia mensal e estica o payback — mais um motivo para o ritmo de novos pedidos de homologação ter perdido tração nos últimos meses.

No lado da geração centralizada, a ABSOLAR aponta dois entraves operacionais que limitam o crescimento, segundo o material divulgado em abril e maio de 2026:

  • Curtailment — cortes de geração impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em momentos de congestionamento da rede de transmissão, sem compensação financeira aos empreendedores das usinas afetadas.
  • Inversão de fluxo — dificuldades técnicas para conectar pequenos sistemas em redes que não foram dimensionadas para receber energia da ponta.

Barbara Rubim, presidente eleita do conselho da ABSOLAR para 2026–2030, sinalizou à Agência Brasil que a prioridade da entidade no novo mandato é “garantir crescimento sustentável com ajustes regulatórios e fortalecimento do mercado livre de energia”.

FAQ

O setor solar brasileiro parou de crescer em 2026?

Não. O estoque continua subindo — saiu de cerca de 57 GW no fim de 2024 para 68,6 GW em maio de 2026 — mas a velocidade de adição diminuiu. A ABSOLAR projeta 10,6 GW de novas instalações em 2026, queda de 7% ante 2025, segundo Canal Solar. O movimento reflete gargalos de rede e a entrada da terceira faixa do Fio B (60%), não falta de demanda.

Quanto o Fio B passa a custar para quem instalou solar em 2024?

Quem conectou um sistema de geração distribuída depois de 07/01/2023 — incluindo 2024 — paga em 2026 60% do Fio B sobre a energia injetada na rede, conforme a Lei 14.300/2022. Em 2025 essa cobrança era de 45%. A regra vale até 2028, quando entra em discussão um novo marco para a compensação.

O que é curtailment e por que afeta minha conta?

Curtailment é o corte de geração que o ONS aplica a usinas renováveis em horários de excesso de oferta, quando a transmissão não dá conta. Hoje atinge sobretudo grandes UFVs centralizadas e parques eólicos. Para o consumidor residencial, o efeito é indireto: investidores travam novos projetos, a oferta de longo prazo cresce menos e a tarifa estrutural fica mais pressionada.

Fontes

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Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300. Editor do Solar Brasil.

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